A JBS finalmente conseguiu respirar aliviada. No domingo, 12 de abril de 2026, a gigante do setor de proteína animal anunciou o fim de uma paralisação que parou a unidade da Swift Beef Co. em Greeley, no Colorado. O impasse, que durou três semanas e envolveu 3.800 funcionários, terminou com um acordo salarial robusto, mas que deixou algumas arestas soltas entre a empresa e o sindicato.
Aqui está o ponto principal: os trabalhadores, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Alimentícia e Comercial Local 7 (conhecido como UFCW Local 7), conseguiram um reajuste salarial de aproximadamente 33% ao longo dos próximos dois anos. Para quem trabalha no chão de fábrica, isso significa um respiro diante de uma inflação que não deu trégua nos últimos tempos. Além do aumento, cada funcionário receberá um bônus único de US$ 750.
Os detalhes do acordo e as concessões
Mas não foi apenas dinheiro no bolso. O novo contrato coletivo traz melhorias essenciais na segurança do dia a dia. Agora, a empresa é obrigada a pagar pelos equipamentos de proteção individual (EPIs) — algo que, segundo relatos, vinha falhando — e os trabalhadores estão protegidos contra reajustes nos custos de assistência médica. Em troca, o sindicato concordou em retirar sete acusações de práticas trabalhistas injustas que pesavam contra a companhia.
Curiosamente, houve uma troca polêmica. A liderança do UFCW Local 7 decidiu abrir mão de benefícios previdenciários negociados anteriormente. A ideia era priorizar o dinheiro imediato no contracheque em vez de promessas de aposentadoria. Foi esse ponto que gerou um mal-estar incomum: a JBS, geralmente a parte que resiste aos aumentos, expressou "decepção" por essa escolha, argumentando que o plano de pensão era fundamental para a segurança a longo prazo dos funcionários.
A porta-voz da companhia chegou a mencionar ao The New York Times que o sindicato havia rejeitado propostas anteriores que equilibravam melhor a estabilidade financeira futura com os ganhos atuais. No fim das contas, a JBS afirma que os valores acordados ficaram dentro dos parâmetros econômicos que já haviam proposto.
Um marco histórico no setor de carnes
Para entender a magnitude disso, precisamos olhar para trás. Esta não foi apenas mais uma greve. Foi a primeira paralisação em um frigorífico nos Estados Unidos desde 1985, quando trabalhadores da Hormel, em Minnesota, entraram em conflito por mais de um ano em confrontos que chegaram a ser violentos. Ver 3.800 pessoas parando a produção em 2026 mostra que a pressão por condições dignas no setor atingiu um novo patamar.
Os funcionários relatavam que a JBS insistia em aumentos anuais inferiores a 2%, enquanto a inflação no Colorado corroía o poder de compra. Além disso, o ritmo de produção acelerado tornava o ambiente de trabalho perigoso. A greve, que teve uma pausa estratégica para negociações em 4 de abril, serviu como um alerta para todo o setor de processamento de carnes.
O cenário crítico da carne nos EUA
O timing da greve não poderia ser pior para a empresa. A JBS opera em um mercado onde a oferta de carne bovina está em níveis alarmantes. O país enfrenta seu menor rebanho em 75 anos — reflexo de secas prolongadas e dos impactos da pandemia. Enquanto isso, a demanda continua alta, empurrando os preços para cima para o consumidor final.
O poder de mercado também é um ponto sensível. A JBS, junto com a Tyson Foods, Cargill e National Beef, controla entre 80% e 85% de todo o processamento de carne bovina nos Estados Unidos. Essa concentração extrema tem atraído a fúria de políticos em Washington. Senadores democratas já articulam um projeto de lei para desmembrar essas gigantes, o que causou instabilidade nas ações da JBS e da MBRF (controladora da National Beef).
A pressão não é apenas política, mas ética. A JBS ainda carrega a mancha de investigações federais de 2022, quando o Departamento do Trabalho descobriu que uma terceirizada utilizava crianças de 13 a 17 anos para limpar equipamentos perigosos em turnos noturnos. Essas crises de imagem tornam qualquer conflito trabalhista um risco reputacional enorme.
O que esperar daqui para frente
Apesar das tempestades, a JBS não está recuando do mercado americano. Recentemente, a empresa anunciou um investimento de US$ 135 milhões em uma nova fábrica de linguiças nos Estados Unidos, sinalizando que, apesar das brigas sindicais e das ameaças de desmembramento, a operação continua em expansão.
Agora, o foco é restaurar a estabilidade em Greeley. A empresa estava remanejando a produção para outras unidades para mitigar a perda, mas o retorno dos 3.800 funcionários é vital para normalizar a cadeia de suprimentos. O mercado observará se esse acordo de 33% de aumento servirá de modelo para outras plantas ou se abrirá a porta para novas ondas de greves em outras companhias do setor.
Perguntas Frequentes
Qual foi o ganho salarial real dos trabalhadores da JBS em Greeley?
Os trabalhadores conseguiram um reajuste salarial de aproximadamente 33% distribuído ao longo de dois anos, além de um bônus imediato de US$ 750 por pessoa. Esse valor foi conquistado após três semanas de paralisação para compensar a inflação no Colorado.
Por que a JBS ficou insatisfeita com parte do acordo?
A empresa expressou decepção porque a liderança do sindicato UFCW Local 7 optou por eliminar benefícios previdenciários em troca de aumentos salariais imediatos. A JBS argumentou que a aposentadoria segura era a melhor opção para a estabilidade financeira de longo prazo dos funcionários.
Qual a importância histórica dessa greve?
Foi a primeira greve em um frigorífico nos Estados Unidos desde 1985 (na fábrica da Hormel). O fato de 3.800 trabalhadores terem parado a produção após décadas de estabilidade sindical no setor indica uma mudança profunda na relação entre empregados e grandes processadores de carne.
Como a crise do rebanho bovino afeta a situação?
Os EUA possuem atualmente o menor rebanho bovino em 75 anos. Com a oferta restrita e a demanda alta, a paralisação da planta de Greeley prejudicou a capacidade de processamento da JBS em um momento onde a carne está mais cara e escassa para o consumidor.
Quais outras pressões a JBS enfrenta nos Estados Unidos?
Além das questões trabalhistas, a JBS enfrenta um projeto de lei de senadores democratas para desmembrar as grandes companhias frigoríficas e lida com as consequências de investigações sobre trabalho infantil em terceirizadas ocorrido em 2022.